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Legislação


Aprovada NR 35
Aprovada NR 35

MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO

SECRETARIA DE INSPEÇÃO DO TRABALHO

PORTARIA Nº 313, DE 23 DE MARÇO DE 2012

(DOU de 27/03/2012 Seção I Pág. 140)

Aprova a Norma Regulamentadora n.º 35 (Trabalho em Altura).

A SECRETÁRIA DE INSPEÇÃO DO TRABALHO, no uso das atribuições conferidas pelo art. 14,

incisos II e XIII do Decreto n.º 5.063, de 3 de maio de 2004, em face do disposto nos arts. 155 e

200 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto n.º 5.452, de 1º de maio

de 1943, e do art. 2º da Portaria MTb n.º 3.214, de 8 de junho de 1978, resolve:

Art. 1º

Aprovar a Norma Regulamentadora n.º 35 (NR-35), sob o título "Trabalho em

Altura", com a redação constante no Anexo desta Portaria.

Art. 2º

Criar a Comissão Nacional Tripartite Temática - CNTT da NR-35 com o objetivo de

acompanhar a implantação da nova regulamentação, conforme estabelece o art. 9º da Portaria

MTE n.º 1.127, de 02 de outubro de 2003.

Art. 3º

As obrigações estabelecidas nesta Norma entram em vigor seis meses após sua

publicação, exceto o capítulo 3 e o subitem 6.4, que entram em vigor doze meses após a data de

publicação desta Portaria.

Art. 4º

Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

VERA LÚCIA RIBEIRO DE ALBUQUERQUE

ANEXO

NR-35 TRABALHO EM ALTURA

35.1

. Objetivo e Campo de Aplicação

35.1.1

Esta Norma estabelece os requisitos mínimos e as medidas de proteção para o

trabalho em altura, envolvendo o planejamento, a organização e a execução, de forma a garantir a

segurança e a saúde dos trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente com esta atividade.

35.1.2

Considera-se trabalho em altura toda atividade executada acima de 2,00 m (dois

metros) do nível inferior, onde haja risco de queda.

35.1.3

Esta norma se complementa com as normas técnicas oficiais estabelecidas pelos

Órgãos competentes e, na ausência ou omissão dessas, com as normas internacionais aplicáveis.

35.2.

Responsabilidades

35.2.1

Cabe ao empregador:

a) garantir a implementação das medidas de proteção estabelecidas nesta Norma;

b) assegurar a realização da Análise de Risco - AR e, quando aplicável, a emissão da

Permissão de Trabalho - PT;

c) desenvolver procedimento operacional para as atividades rotineiras de trabalho em

altura;

d) assegurar a realização de avaliação prévia das condições no local do trabalho em altura,

pelo estudo, planejamento e implementação das ações e das medidas complementares de

segurança aplicáveis;

e) adotar as providências necessárias para acompanhar o cumprimento das medidas de

proteção estabelecidas nesta Norma pelas empresas contratadas;

f) garantir aos trabalhadores informações atualizadas sobre os riscos e as medidas de

controle;

g) garantir que qualquer trabalho em altura só se inicie depois de adotadas as medidas de

proteção definidas nesta Norma;

h) assegurar a suspensão dos trabalhos em altura quando verificar situação ou condição de

risco não prevista, cuja eliminação ou neutralização imediata não seja possível;

i) estabelecer uma sistemática de autorização dos trabalhadores para trabalho em altura;

j) assegurar que todo trabalho em altura seja realizado sob supervisão, cuja forma será

definida pela análise de riscos de acordo com as peculiaridades da atividade;

k) assegurar a organização e o arquivamento da documentação prevista nesta Norma.

35.2.2

Cabe aos trabalhadores:

a) cumprir as disposições legais e regulamentares sobre trabalho em altura, inclusive os

procedimentos expedidos pelo empregador;

b) colaborar com o empregador na implementação das disposições contidas nesta Norma;

c) interromper suas atividades exercendo o direito de recusa, sempre que constatarem

evidências de riscos graves e iminentes para sua segurança e saúde ou a de outras pessoas,

comunicando imediatamente o fato a seu superior hierárquico, que diligenciará as medidas

cabíveis;

d) zelar pela sua segurança e saúde e a de outras pessoas que possam ser afetadas por suas

ações ou omissões no trabalho.

35.3.

Capacitação e Treinamento

35.3.1

O empregador deve promover programa para capacitação dos trabalhadores à

realização de trabalho em altura.

35.3.2

Considera-se trabalhador capacitado para trabalho em altura aquele que foi

submetido e aprovado em treinamento, teórico e prático, com carga horária mínima de oito horas,

cujo conteúdo programático deve, no mínimo, incluir:

a) normas e regulamentos aplicáveis ao trabalho em altura;

b) análise de risco e condições impeditivas;

c) riscos potenciais inerentes ao trabalho em altura e medidas de prevenção e controle;

d) sistemas, equipamentos e procedimentos de proteção coletiva;

e) equipamentos de Proteção Individual para trabalho em altura: seleção, inspeção,

conservação e limitação de uso;

f) acidentes típicos em trabalhos em altura;

g) condutas em situações de emergência, incluindo noções de técnicas de resgate e de

primeiros socorros.

35.3.3

O empregador deve realizar treinamento periódico bienal e sempre que ocorrer

quaisquer das seguintes situações:

a) mudança nos procedimentos, condições ou operações de trabalho;

b) evento que indique a necessidade de novo treinamento;

c) retorno de afastamento ao trabalho por período superior a noventa dias;

d) mudança de empresa.

35.3.3.1

O treinamento periódico bienal deve ter carga horária mínima de oito horas,

conforme conteúdo programático definido pelo empregador.

35.3.3.2

Nos casos previstos nas alíneas "a", "b", "c" e "d", a carga horária e o conteúdo

programático devem atender a situação que o motivou.

35.3.4

Os treinamentos inicial, periódico e eventual para trabalho em altura podem ser

ministrados em conjunto com outros treinamentos da empresa.

35.3.5

A capacitação deve ser realizada preferencialmente durante o horário normal de

trabalho.

35.3.5.1

O tempo despendido na capacitação deve ser computado como tempo de

trabalho efetivo.

35.3.6

O treinamento deve ser ministrado por instrutores com comprovada proficiência no

assunto, sob a responsabilidade de profissional qualificado em segurança no trabalho.

35.3.7

Ao término do treinamento deve ser emitido certificado contendo o nome do

trabalhador, conteúdo programático, carga horária, data, local de realização do treinamento,

nome e qualificação dos instrutores e assinatura do responsável.

35.3.7.1

O certificado deve ser entregue ao trabalhador e uma cópia arquivada na

empresa.

35.3.8

A capacitação deve ser consignada no registro do empregado.

35.4.

Planejamento, Organização e Execução

35.4.1

Todo trabalho em altura deve ser planejado, organizado e executado por

trabalhador capacitado e autorizado.

35.4.1.1

Considera-se trabalhador autorizado para trabalho em altura aquele capacitado,

cujo estado de saúde foi avaliado, tendo sido considerado apto para executar essa atividade e que

possua anuência formal da empresa.

35.4.1.2

Cabe ao empregador avaliar o estado de saúde dos trabalhadores que exercem

atividades em altura, garantindo que:

a) os exames e a sistemática de avaliação sejam partes integrantes do Programa de

Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO, devendo estar nele consignados;

b) a avaliação seja efetuada periodicamente, considerando os riscos envolvidos em cada

situação;

c) seja realizado exame médico voltado às patologias que poderão originar mal súbito e

queda de altura, considerando também os fatores psicossociais.

35.4.1.2.1

A aptidão para trabalho em altura deve ser consignada no atestado de saúde

ocupacional do trabalhador.

35.4.1.3

A empresa deve manter cadastro atualizado que permita conhecer a abrangência

da autorização de cada trabalhador para trabalho em altura.

35.4.2

No planejamento do trabalho devem ser adotadas, de acordo com a seguinte

hierarquia:

a) medidas para evitar o trabalho em altura, sempre que existir meio alternativo de

execução;

b) medidas que eliminem o risco de queda dos trabalhadores, na impossibilidade de

execução do trabalho de outra forma;

c) medidas que minimizem as consequências da queda, quando o risco de queda não puder

ser eliminado.

35.4.3

Todo trabalho em altura deve ser realizado sob supervisão, cuja forma será definida

pela análise de risco de acordo com as peculiaridades da atividade.

35.4.4

A execução do serviço deve considerar as influências externas que possam alterar as

condições do local de trabalho já previstas na análise de risco.

35.4.5

Todo trabalho em altura deve ser precedido de Análise de Risco.

35.4.5.1

A Análise de Risco deve, além dos riscos inerentes ao trabalho em altura,

considerar:

a) o local em que os serviços serão executados e seu entorno;

b) o isolamento e a sinalização no entorno da área de trabalho;

c) o estabelecimento dos sistemas e pontos de ancoragem;

d) as condições meteorológicas adversas;

e) a seleção, inspeção, forma de utilização e limitação de uso dos sistemas de proteção

coletiva e individual, atendendo às normas técnicas vigentes, às orientações dos fabricantes e aos

princípios da redução do impacto e dos fatores de queda;

f) o risco de queda de materiais e ferramentas;

g) os trabalhos simultâneos que apresentem riscos específicos;

h) o atendimento aos requisitos de segurança e saúde contidos nas demais normas

regulamentadoras;

i) os riscos adicionais;

j) as condições impeditivas;

k) as situações de emergência e o planejamento do resgate e primeiros socorros, de forma

a reduzir o tempo da suspensão inerte do trabalhador;

l) a necessidade de sistema de comunicação;

m) a forma de supervisão.

35.4.6

Para atividades rotineiras de trabalho em altura a análise de risco pode estar

contemplada no respectivo procedimento operacional.

35.4.6.1

Os procedimentos operacionais para as atividades rotineiras de trabalho em altura

devem conter, no mínimo:

a) as diretrizes e requisitos da tarefa;

b) as orientações administrativas;

c) o detalhamento da tarefa;

d) as medidas de controle dos riscos características à rotina;

e) as condições impeditivas;

f) os sistemas de proteção coletiva e individual necessários;

g) as competências e responsabilidades.

35.4.7

As atividades de trabalho em altura não rotineiras devem ser previamente

autorizadas mediante Permissão de Trabalho.

35.4.7.1

Para as atividades não rotineiras as medidas de controle devem ser evidenciadas

na Análise de Risco e na Permissão de Trabalho.

35.4.8

A Permissão de Trabalho deve ser emitida, aprovada pelo responsável pela

autorização da permissão, disponibilizada no local de execução da atividade e, ao final, encerrada

e arquivada de forma a permitir sua rastreabilidade.

35.4.8.1

A Permissão de Trabalho deve conter:

a) os requisitos mínimos a serem atendidos para a execução dos trabalhos;

b) as disposições e medidas estabelecidas na Análise de Risco;

c) a relação de todos os envolvidos e suas autorizações.

35.4.8.2

A Permissão de Trabalho deve ter validade limitada à duração da atividade,

restrita ao turno de trabalho, podendo ser revalidada pelo responsável pela aprovação nas

situações em que não ocorram mudanças nas condições estabelecidas ou na equipe de trabalho.

35.5.

Equipamentos de Proteção Individual, Acessórios e Sistemas de Ancoragem

35.5.1

Os Equipamentos de Proteção Individual - EPI, acessórios e sistemas de ancoragem

devem ser especificados e selecionados considerando-se a sua eficiência, o conforto, a carga

aplicada aos mesmos e o respectivo fator de segurança, em caso de eventual queda.

35.5.1.1

Na seleção dos EPI devem ser considerados, além dos riscos a que o trabalhador

está exposto, os riscos adicionais.

35.5.2

Na aquisição e periodicamente devem ser efetuadas inspeções dos EPI, acessórios e

sistemas de ancoragem, destinados à proteção de queda de altura, recusando-se os que

apresentem defeitos ou deformações.

35.5.2.1

Antes do início dos trabalhos deve ser efetuada inspeção rotineira de todos os EPI,

acessórios e sistemas de ancoragem.

35.5.2.2

Deve ser registrado o resultado das inspeções:

a) na aquisição;

b) periódicas e rotineiras quando os EPI, acessórios e sistemas de ancoragem forem

recusados.

35.5.2.3

Os EPI, acessórios e sistemas de ancoragem que apresentarem defeitos,

degradação, deformações ou sofrerem impactos de queda devem ser inutilizados e descartados,

exceto quando sua restauração for prevista em normas técnicas nacionais ou, na sua ausência,

normas internacionais.

35.5.3

O cinto de segurança deve ser do tipo paraquedista e dotado de dispositivo para

conexão em sistema de ancoragem.

35.5.3.1

O sistema de ancoragem deve ser estabelecido pela Análise de Risco.

35.5.3.2

O trabalhador deve permanecer conectado ao sistema de ancoragem durante

todo o período de exposição ao risco de queda.

35.5.3.3

O talabarte e o dispositivo trava-quedas devem estar fixados acima do nível da

cintura do trabalhador, ajustados de modo a restringir a altura de queda e assegurar que, em caso

de ocorrência, minimize as chances do trabalhador colidir com estrutura inferior.

35.5.3.4

É obrigatório o uso de absorvedor de energia nas seguintes situações:

a) fator de queda for maior que 1;

b) comprimento do talabarte for maior que 0,9m.

35.5.4

Quanto ao ponto de ancoragem, devem ser tomadas as seguintes providências:

a) ser selecionado por profissional legalmente habilitado;

b) ter resistência para suportar a carga máxima aplicável;

c) ser inspecionado quanto à integridade antes da sua utilização.

35.6.

Emergência e Salvamento

35.6.1

O empregador deve disponibilizar equipe para respostas em caso de emergências

para trabalho em altura.

35.6.1.1

A equipe pode ser própria, externa ou composta pelos próprios trabalhadores que

executam o trabalho em altura, em função das características das atividades.

35.6.2

O empregador deve assegurar que a equipe possua os recursos necessários para as

respostas a emergências.

35.6.3

As ações de respostas às emergências que envolvam o trabalho em altura devem

constar do plano de emergência da empresa.

35.6.4

As pessoas responsáveis pela execução das medidas de salvamento devem estar

capacitadas a executar o resgate, prestar primeiros socorros e possuir aptidão física e mental

compatível com a atividade a desempenhar.

Glossário

Absorvedor de energia:

dispositivo destinado a reduzir o impacto transmitido ao corpo do

trabalhador e sistema de segurança durante a contenção da queda.

Análise de Risco - AR:

avaliação dos riscos potenciais, suas causas, consequências e

medidas de controle.

Atividades rotineiras:

atividades habituais, independente da freqüência, que fazem parte

do processo de trabalho da empresa.

Cinto de segurança tipo paraquedista:

Equipamento de Proteção Individual utilizado para

trabalhos em altura onde haja risco de queda, constituído de sustentação na parte inferior do

peitoral, acima dos ombros e envolto nas coxas.

Condições impeditivas:

situações que impedem a realização ou continuidade do serviço

que possam colocar em risco a saúde ou a integridade física do trabalhador.

Fator de queda:

razão entre a distância que o trabalhador percorreria na queda e o

comprimento do equipamento que irá detê-lo.

Influências Externas:

variáveis que devem ser consideradas na definição e seleção das

medidas de proteção, para segurança das pessoas, cujo controle não é possível implementar de

forma antecipada.

Permissão de Trabalho - PT:

documento escrito contendo conjunto de medidas de controle

visando o desenvolvimento de trabalho seguro, além de medidas de emergência e resgate.

Ponto de ancoragem:

ponto destinado a suportar carga de pessoas para a conexão de

dispositivos de segurança, tais como cordas, cabos de aço, trava-queda e talabartes.

Profissional legalmente habilitado:

trabalhador previamente qualificado e com registro no

competente conselho de classe.

Riscos adicionais:

todos os demais grupos ou fatores de risco, além dos existentes no

trabalho em altura, específicos de cada ambiente ou atividade que, direta ou indiretamente,

possam afetar a segurança e a saúde no trabalho.

Sistemas de ancoragem:

componentes definitivos ou temporários, dimensionados para

suportar impactos de queda, aos quais o trabalhador possa conectar seu Equipamento de

Proteção Individual, diretamente ou através de outro dispositivo, de modo a que permaneça

conectado em caso de perda de equilíbrio, desfalecimento ou queda.

Suspensão inerte:

situação em que um trabalhador permanece suspenso pelo sistema de

segurança, até o momento do socorro.

Talabarte:

dispositivo de conexão de um sistema de segurança, regulável ou não, para

sustentar, posicionar e/ou limitar a movimentação do trabalhador.

Trabalhador qualificado:

trabalhador que comprove conclusão de curso específico para

sua atividade em instituição reconhecida pelo sistema oficial de ensino.

Trava-queda:

dispositivo de segurança para proteção do usuário contra quedas em

operações com movimentação vertical ou horizontal, quando conectado com cinturão de

segurança para proteção contra quedas.